quinta-feira, junho 07, 2007

IMAGINE-SE na seguinte situação: depois de ter trabalhado a manhã inteira enchendo laje em um sobrado de três andares em um sol escaldante, senta-se para comer sua marmita. Uma puta dor nas costas, a comadre Creuza mandou passar álcool com arnica, alegrim, e babosa, mas não está adiantando muito. A comida está gelada e pouco sortida mas isso não importa, o importante é encher o bucho. É um momento de prazer, dá para ouvir seu programa de rádio preferido, então você liga o rádio na Igapó FM para ouvir Histórias do Coração, a voz sedosa do locutor, uma música da Whitney Houston de fundo, músicas lindas tocando e recados que fazem chorar de tão bonitas que são. De repente, você ouve um recado para você, no primeiro momento pensa que é para outra pessoa, mas acaba percebendo que é para você sim, já que é o único Josinelsson que mora na zona norte, e lembra da pessoa que mandou o recado. É aquela moreninha popuzuda que conheceu no último final de semana no Viola de Ouro, a Jenyfer Creyce, e a música é a aquela do Bruno e Marrone que estava tocando quando a Rosalva te apresentou a ela. A emoção vem à flor da pele mas não chora para que os amigos não tirem sarro. O resto do dia, enquanto trabalha, fica pensando no futuro, assim que sair da obra vai na casa da menina e chamá-la para morar com você, foda-se que ela tenha dois filhos, para quem já paga pensão para dois não custa manter mais dois, sem dizer que ela é registrada e agora você pegou umas obras grandes para fazer.
Porque escrevi isto? Porque outro dia estava trocando de rádio e ouvi um desses recados do coração, e percebi que não é só o Paulo Coelho que escreve coisas lindas para preencher um vazio no coração e resolvi compartilhar com todos as maravilhas literárias desses poetas, que se tivessem dinheiro para publicar venderiam tanto quanto Bruna Surfistinha, uma das mais célebres escritoras tupiniquins.

PRINCESA, todo dia fico a sua espera... Meu coração não sai desse castigo, o castigo de te amar desse jeito. Deixo a porta aberta do meu coração. Pra ver se essa saudade se aquieta, mas não, só procura o acochego dos seus braços e dos seus carinhos. Cadê você!!! Preciso tanto do seu amor. Me procura....ANJO

O importante não foi o dia em que te conheci, mas sim o dia que vc começou a fazer parte de mim!! A felicidade é uma palavra de dez letras, a minha se resume em quatro te amo e sempre te amarei!!

Meu coração era frio, meu pensamento vazio, minha vida amarga, meu sorriso sem graça e a tristeza me calava... Hoje, sinto seu calor, penso em você com amor, me imagino um beija-flor, vivendo do seu doce amor... Você é como uma flor que meu sorriso alegrou... Há todos vou declarar Que irei sempre te amar...

se amar é pecado,com certeza quando eu morrer vou direto para o inferno.Pois te amo loucamente.

olha amor como tu sabe estive a peira da morte, e nesta hora a unica imagem ke me veio a memoria nao foi cristo e nem nossa senhora e sim voce, entao fiz um pacto com deus... se pudese ver uma unica vez e pessoa ke amo ele poderia mo levar para alem vida...te amo gata

QUANDO ESTIVER TRISTE DEIXE DOS OLHOS CAIR UMA LAGRIMA , DA BOCA UM SORRISO.POIS NÃO SÃO COVARDES OS QUE AMAM,POIS SIM OS QUE NÃO AMAM COM MEDO DE CHORAR!!!!

quinta-feira, março 01, 2007

CONTAGEM REGRESSIVA
Bom, depois de meses dedicando quase todo meu tempo aos estudos com o objetivo de passar em concurso, voltarei a publicar minhas idiotices neste espaço.
Agradeço ao portuga, pela paciência que teve e incentivo para que eu nunca desistisse dos estudos. Tem também uma menina que deixou um recado na minha última postagem, ainda não tive tempo para conhecer o blog dela, mas assim que der, vou acessá-lo.
Voltando ao que interessa, nas próximas postagens vou propor algo diferente, visando a qualidade e interatividade do espaço. Ainda tenho apenas idéias vagas, mas com o tempo, estarei postando-as.
Domingo presto o último concurso da primeira bateria de provas do ano. Por isso, decidi postar mais um poema de minha namorada.
Não preciso dizer nada sobre a qualidade dos textos dela, basta ler para compreender como são lindos. Mas este é especial, foi feito para mim durante a última viagem que fiz, e mesmo não entendendo nada de poesia, sei que saiu do coração, e sempre que leio, tenho vontade de chorar.
Infelizmente, não consigo expressar com letras e palavras o amor que sinto por essa mulher, só sei dizer que a amo muito e por mais que isso possa parecer brega, não tenho vergonha de dizer e repetir para todo mundo o tamanho de meu amor.
Chega de conversa, isso não é blog de adolescente, espero que apreciem esta obra prima, lembrem que foi feito apara mim e morram de inveja.
Abraço.


Eu assim tão sua
Nesta noite vou chorar de saudade
Vou cantar silêncios na canção mais triste que sei
E das muitas nuvens farei esculturas,
Das mais bizarras, pra chamar sua atenção.
Tudo assim tão complicado
Nos meus gestos desajeitados de amor.
Se eu te disser que só pensei em você
Durante todo o tempo
E pode até parecer absurdo
Mas só pensei em você e que mal fiz?
E pensei assim tão triste
Tão quieta... Tão sozinha...
Fui além: Fiquei na espera.
Na espera de um barulho
De palavras suas,
De passos mansos pelo chão
No meu quarto – seus sapatos.
E meu sorriso que sei alegre
Ficou básico, nada criativo, nada excitado.
Se é que ainda continua sorriso ou boca que faz tipo
Sei que sua falta me é fatal.
Encontro-me então silenciosa
Deitada no chão - à parte do tudo que é real
Entre silêncios encolhidos,
Perfumes de rosas tristes,
Jardins escuros e ventos calmos.
E me afigura em mente
As estrelas inspiradas
E todas as loucuras impensadas
Que uma cabeça fragilizada pôde
Um dia imaginar...
E eu assim tão calada na sua ausência
Que um grito dentro de mim
Parece coragem inadequada.
Mas, me acalmo com o tempo,
Com o tique-taque estrondoso do relógio
Que hoje pareceu andar mais vagaroso
E eu assim tão calada
Tão só – tão sua – tão frágil.
Mirian Gonçalves

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Como eu continuo incapacitado mentalmente para produzir, estou postando um poema de minha namorada.
Além de ser linda, ela é uma poetisa maravilhosa. Então, resolvi colocar este poema.
Gostaria de pedir para meus fãs (já tenho três) não mandarem nenhum texto, pois não publicarei. Só estou postando o poema da Mirian, apesar de sair um pouco da proposta do blog, porque ele é muito bom, eu gosto e não estou escrevendo nada de relevância.
Mas não se preocupem, em breve estarei voltando com mais histórias de sexo, sacanagem, bruxos, filosofia de pará-choque de caminhão e auto-ajuda e outros temas sem valor cultural.
Até lá.


Contemporâneos

Um grito instantâneo paralisa a estrada,
A guerra não declarada no aconchego do lar
Surte em dor não definida, escrava e surda...

Uma poção mágica esquece a própria presença ilusória
E lança-se, dogmática, em trajes urbanos em rua nua.
Chuva certeira, pedras desarranjadas, arranha-céus quase humanos
Lembram cérebros alojando feridas purulentas e sangue fresco.

Quantas cicatrizes um Homem pode suportar?
Quem sabe um aperto no peito seja mesmo fatal
E morrer de fome não seja realmente morrer...

Entre um gole e outro um pouco se morre,
Morre-se por costume de família,
Por tiro no peito e porque a morte é mesmo rotina
E quem sabe a vida é uma seqüência fatal.

Mirian Gonçalves

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Pois é.

Depois de algum tempo sem vontade de escrever, estou em frente o computador tentando decidir o que faço com meu blog. Não sei se deixo quieto e apenas paro de escrever, se cancelo a conta e desapareço sem deixar vestígios, ou tento continuar, a única decisão que tomei até agora, é que tenho que fazer algo a esse respeito.

Independente da decisão, tenho que dar uma boa explicação para meu solitário fã. Ele é português (sem piadas com os portugueses, por favor) e vive me mandando e-mails de elogio e reclamando que tenho que atualizar com mais freqüência. Também tenho os amigos, que quando lêem meus textos elogiam, mesmo sendo elogios falsos é gostoso recebê-los.

O problema, é que o propósito inicial do blog, que era de criticar a literatura de massa foi perdido, é o mesmo que dar murro em ponta de faca.

Até a publicação em blog faz parte da literatura de massa, a diferença, é que o leitor é livre para procurar o que mais o agrada, se ele entra em uma página que julga ser ruim, sai rápido e não volta, mas se ele se identifica com o autor, entra periodicamente, posta comentários, críticas e sugestões, o que é muito bom para o autor que tem a oportunidade de aprimorar seus textos e desenvolver seu estilo de escrita.

Darei alguns meses de vida para meu blog, tentarei mudar o enfoque de minha escrita e farei algumas alterações estéticas para que seja menos agressivo. Uma coisa que já fiz, foi mudar o título, pois muita gente entrava pensando que iria encontrar fotos de gays pelados.

Com essa nova proposta, espero que quem ler o blog, mande comentários, mesmo para criticar, pois assim é que vou saber, se vale a pena continuar publicando ou não, ou se devo mudar alguma coisa. Pode mandar também e-mail, que eu responderei.

Antes que me esqueça, para as pessoas que me conhecem, continuarei assinando como Narciso.


quinta-feira, novembro 30, 2006

ATENÇÃO:

Venho por meio dessa comunicar ao meu único fã o porque do blog não estar sendo atualizado:

O autor-personagem dessa parvoíce está passando por um momento muito difícil em sua vida, ele fica a maior parte do dia ouvindo Pink Floid ao efeito de Prozac, ou procurando filmes eróticos no you tube.

Depois que ele leu os dois últimos maiores lançamentos editoriais do Brasil: último livro de paulo coelho e o segundo de bruna surfistinha, ele viu que é impossível competir com esses ícones da literatura brasileira.

Sim é verdade, em seu cérebro existe apenas vácuo, ele não consegue mais criar personagens que passam esperança e fé falsa, ou então personagens pervertidos ao ponto de serem exemplo para adolescentes.

Tem mais, em sua opinião, deveriam ser construídas estátuas dos dois em todas as cidades e as pessoas pagarem tributos em nome desses deuses cânones.

A literatura tem que ser extinta, mantendo-se apenas seus escritos, e tudo o que for criado tem que ter base nessas maravilhas proféticas, a gramática normativa tem que ser seguida conforme o que eles acham correto ou não.

E quem não seguir seus preceitos, não estudá-los e adorá-los deve ser morto em um ritual de bruxaria depois de passar por horas de sadomasoquismo.

Para esse mero devorador de clássicos, a literatura morreu, não existe sentido nessa vida para escrever, tudo o que tentar fazer nunca chegará aos pés dos dois, por isso ele vai ficar algum tempo sem criar textos.

Em momentos de lucidez ele colocará alguns desabafos, apesar de preferir continuar no mundo lisérgico e de devaneios, ou melhor em sua Pasárgada.

Mas promete que a partir do dia 15 de março, trará os relatos de como conseguiu se livrar das drogas em um belo livro de auto ajuda.

Obs.1: bruna surfistinha deveria entrar na política, já que tem um monte político filho da puta, ela se daria muito bem nesse meio.

Obs.2: os nomes estão em letra minúscula de propósito.

quinta-feira, outubro 26, 2006

VIDA, SIMPLESMENTE VIDA.
na realidade, nem sei porque escrevi isso, só sei que acordei com essa história na cabeça.
Quando chegou em casa, entrou no quarto tentando não fazer muito barulho, pois era tarde da noite. Tirou a roupa e deitou-se cuidadosamente ao lado da esposa para não acordá-la. A luz fraca da lua entrava pela janela e ele podia ver perfeitamente o corpo da mulher que jurou amar até que a morte os separasse.
Deu vontade de pegar uma faca e cortar o pescoço dela, um golpe só, certeiro na jugular, nem teria dor, apenas sangue, muito sangue. Seria até romântico, marido mata esposa à luz do luar.
Mas o que pensariam os filhos sobre sua atitude, matar a mãe sem motivo, ainda mais uma mulher que sempre deu o que ele precisava, nunca faltou nada em sua vida, no mínimo teriam ódio do pai, e ele nem teria o direito de pedir perdão, porque eles não entenderiam.
Quando casaram, os amigos diziam que era um casal perfeito, sempre juntos, felizes, dava para ver o amor em seus olhos. Ele era um rapaz vindo de uma cidade pequena, vivera quase na miséria, apesar disso, tinha a fisionomia de um guerreiro mitológico, era forte e bonito, batalhou muito para melhorar de vida e quando se conheceram, era diretor de uma multinacional. Ela era uma moreninha burguesa que sempre tivera de tudo, corpo esbelto e gestos graciosos que apaixonavam a todos ao seu redor, quando se conheceram, ela tinha acabado de entrar no curso de direito. Foram feitos um para o outro, todos diziam.
Apesar de ter engordado um pouco, ela continuava linda, a pele tão macia, já fazia muito tempo que tiveram a última noite de sexo. Se tivesse uma arma, seria mais fácil, uma bala na cabeça dela e outra na dele, não teria que se preocupar com o que os filhos pensariam. Mas, e o futuro deles? O caçula é tão carente de afetividade materna, eles teriam que morar com a avó, aquela velha arrogante que pensa ter o rei na barriga, e viveria falando que o pai foi um vagabundo. Com certeza a vaca estragaria a cabeça dos meninos, nunca seriam felizes. Outras coisas pesavam contra esta nova idéia, além de não ter revolver em casa, ele sempre teve pavor por armas, e faria muito barulho, os meninos iriam acordar assustados, o choque seria muito grande para eles.
O dia da formatura dela, foi muito feliz e também triste, pois ele perdera o emprego uma hora antes da cerimônia. Riram, festejaram e também choraram juntos, prometeram um para o outro que arranjariam emprego e que tudo daria certo. Ela começou a trabalhar, ele não, enquanto dividiam os afazeres de casa, ela crescia no escritório e ele procurava novo emprego e fazia bicos, ela teve que parar de ajudar em casa porque o trabalho a deixava esgotada, ele teve que parar de procurar emprego para se dedicar à casa, principalmente quando o primeiro filho nasceu, a mulher não esperou nem acabar a licença maternidade, sua carreira era cada vez mais importante.
O ciúme apareceu quando um rapaz recém formado começou a trabalhar no mesmo escritório da esposa, sempre conversavam pelo telefone, viagens de negócio, encontros fora de horário, com isso, a paixão foi enfraquecendo, o gosto pela bebida aumentando, e a cada dia ficava mais resignado com sua situação.
Poderia sufocá-la com o travesseiro, ainda era forte, ficaria por cima dela, assim não teria como se debater. Mas e o contato com a pele quente dela, seu cheiro, o respirar arfante, o olhar era o que mais o incomodava, lembrou da época em que transavam feito dois adolescentes.
Durante a semana teria que ir a uma reunião na escola da menina, ela estava com umas atitudes muito estranhas, um pouco rebelde, já fora chamado umas três vezes, mas sempre arrumava uma desculpa, é coisa da idade, pensava, mas agora não teria escapatória. Esqueceu o travesseiro, essa idéia era repugnante.
Com o tempo, as cobranças apareceram, os amigos brincando que ele era dona de casa, a sociedade cobrando ocupação e negando oportunidades, a esposa que estava cansada de ser a única pessoa que sustentava a casa, a família da mulher dizendo que era feio uma mulher como a dele ser casada com vagabundo, os filhos achando estranho o papel invertido em casa.
Às vezes, entrava no banheiro para chorar sem ser ouvido, e enquanto a água gelada caia em seu corpo, sempre tomou banho na água gelada, pensava no que deu errado para sua vida chegar a esse ponto. Teve o emprego perfeito a esposa perfeita e hoje é a vergonha da família, já estava velho, a barriga cresceu, o cabelo caiu, se sentia tão cansado, impossível começar uma vida nova, o mais fácil seria acabar com essa.
Sobrou um pouco de veneno de rato da última vez em que precisaram usar. Fácil, era preciso colocar só um pouquinho no café dela e pronto, caia durinha, mas para isso, teria que conversar com ela pela última vez, a mesma conversa mecânica repetida a mais de quinze anos. Não, isso não, perderia toda a poética, tinha que ser assim como ela estava, iluminada pela lua.
A luz da lua já não batia no corpo da mulher, só percebeu um vulto quente ao seu lado, como todas as noites, apesar disso se sentia sozinho na cama. Virou para o outro lado, precisava dormir, no outro dia teria que acordar cedo para preparar o café das crianças.

terça-feira, outubro 24, 2006

PEREBA
ontem, quando comecei a escrever este texto, pensei que ele ficaria muito bom, mas hoje, depois de terminado, vejo que ficou uma merda, mas mesmo assim vou postá-lo
O sonho de Pereba sempre foi conhecer o pai, mas a avó nunca disse quem ele era, pois também não o conhecia. O pouco que lembrava da mãe, uma mulher fraca, de pele enrugada e olhos tristes, era muito feia e exalava um odor forte de urina, de vez em quando, aparecia bêbada em casa e ele tinha nojo e vergonha de chamá-la de mãe.
Sua casa era muito pequena e ele tinha que dividir um quarto minúsculo construído com papelão, lona e chapas de ferro com mais onze crianças e uma dúzia de cachorros sarnentos. Daí vem o apelido, pegou sarna dos animais e ficou muito tempo com um cobreiro horrível na pele, até que levaram o condenado a uma curandeira e ela deu para ele umas beberagens e banhos de ervas. O cobreiro foi embora, mas o apelido ficou, não se importou com isso, já que ter nome não fazia importância, ele não conhecia ninguém que tivesse nome mesmo, só apelido.
Lembranças da infância, tinha muita não. Só que a ultima vez em que a mãe veio para casa, ela deu pinga para ele beber, bebeu e ficou muito feliz, brincou com todo mundo e não queria que acabasse, mas acabou, a mãe foi embora, esperou a mãe voltar e a mãe nuca mais voltou, tinha só quatro anos. Pelo menos descobriu que quando tomava um golinho de pinga, a vida ficava mais divertida.
Aos cinco anos viu na tv de um buteco, que o novo presidente ia dar escola, roupa nova e comida para os pobres. Foi correndo para casa avisar a avó, mas ela falou que era tudo mentira e ele apanhou de um carinha novo que morava com a irmã de treze anos no mesmo barraco fazia um mês.
Chorou muito, mas encontrou uma garrafa de pinga pela metade que estava escondida atrás do fogão, bebeu, ficou alegre, apanhou de novo e jurou que nunca mais ia chorar na vida.
O primeiro amigo de Pereba era conhecido como Futrica, apesar de ter só dez anos, era esperto, só andava com roupa de marca e tênis importado, tinha até Play Station, Pereba admirava seu amigo, pois era legal com ele e deixava ele jogar vídeo game. Principalmente quando cheiravam cola ou fumavam maconha, tudo ficava tão legal.
Futrica ensinou Pereba a andar nos panos igual ele, só não podia roubar muito perto da favela, que ali os traficantes pedem respeito. Que alegre ele estava, andava bem vestido, os vizinhos até começaram a cumprimentar e tinham até os que pediam dinheiro emprestado. É lógico que ele emprestava, ladrão considerado é ladrão bom, podia fumar todo dia e de vez em quando até cheirava umas carreiras.
Um dia, depois de um roubo, Pereba conseguiu fugir, mas Futrica foi preso, ficou um mês internado no Ciaddi, depois disso, Pereba pensou que ele estava bravo por ter sido preso sozinho, mas não, Futrica saiu até alegre e disse que aprendeu muita coisa lá dentro, como ganhar dinheiro fácil, roubar carro no centro, lotérica, padaria, posto de gasolina, é dinheiro alto e fácil, só tem que arrumar arma pra se garantir. Mas isso é tranqüilo.
Apesar do risco, realmente eles conseguiram mais dinheiro, eram mais respeitados na comunidade e davam grandes churrascos para os amigos.
Certo dia, enquanto Pereba estava dentro de um carro, o dono chegou com um monte de gente e deram uma surra nele e chamaram a policia. Na delegacia, conheceu a Betinha, ele já conhecia ela de vista, menina de quinze anos que caiu vendendo pó no centro. Muito bonita a Betinha, ela tinha um filho com o Zicão, que morreu porque estava devendo pedra para o traficante da vila, dever pedra é foda, não tem perdão.
Combinaram de se encontrar quando saíssem do Ciaddi. Saíram, se encontraram e decidiram morar juntos. Agora ele tinha família para sustentar, a correria na rua aumentou e só andava armado.
Futrica resolveu que eles iam guardar uma grana para montar uma boca de fumo, pois o tráfico dá mais dinheiro. Depois de vários assaltos, passagens pelo Ciaddi, mortes por disputa por pontos de venda de drogas, já tinham o poder em toda a favela, carro novo, corrente de ouro, respeito.
A Betinha teve uma filha com ele, mas foi embora para outra favela. Mas ele não ligava podia comer a mulher que ele quisesse. E estava comendo a Renata, ele sabia que era só por causa de cocaína que ela dava pra ele, mas ela era muito gostosa.
Depois de pesquisarem, Pereba e Futrica resolveram assaltar uma joalheria do centro, eles ficariam muito ricos com aquele assalto, poderiam até se aposentar, viver de boa, igual playboy.
Enquanto se preparava, Renata chegou e disse que estava grávida dele, ele mandou ela se fuder, porque ela não passava da uma puta viciada e o filho não era dele. Mesmo com toda a argumentação de Renata, ele não quis acreditar e saiu para encontrar Futrica. Enquanto caminhava, lembrou que nunca conheceu o pai como desejava na infância e decidiu que depois do assalto iria conversar com a Renata, se o moleque fosse dele iria ter vida de rei.



MENOR MORRE EM TROCA DE TIRO COM POLÍCIA

Ontem por volta das 17 horas, o menor Carlos Andrade Silva, conhecido como Pereba, morreu após trocar tiros com a polícia em uma joalheria do centro da cidade. O delegado responsável pelo caso, disse que a PM foi chamada para uma ocorrência de roubo em uma relojoaria na rua R.J. e assim que chegou ao local, dois assaltantes tentavam fugir. O adolescente atirou contra os policiais que revidaram e acertaram um tiro em seu peito. O outro assaltante conseguiu fugir. O menor morto, tinha várias passagens pelo Ciaddi, por roubo, assalto e trafico de drogas.