quinta-feira, outubro 26, 2006

VIDA, SIMPLESMENTE VIDA.
na realidade, nem sei porque escrevi isso, só sei que acordei com essa história na cabeça.
Quando chegou em casa, entrou no quarto tentando não fazer muito barulho, pois era tarde da noite. Tirou a roupa e deitou-se cuidadosamente ao lado da esposa para não acordá-la. A luz fraca da lua entrava pela janela e ele podia ver perfeitamente o corpo da mulher que jurou amar até que a morte os separasse.
Deu vontade de pegar uma faca e cortar o pescoço dela, um golpe só, certeiro na jugular, nem teria dor, apenas sangue, muito sangue. Seria até romântico, marido mata esposa à luz do luar.
Mas o que pensariam os filhos sobre sua atitude, matar a mãe sem motivo, ainda mais uma mulher que sempre deu o que ele precisava, nunca faltou nada em sua vida, no mínimo teriam ódio do pai, e ele nem teria o direito de pedir perdão, porque eles não entenderiam.
Quando casaram, os amigos diziam que era um casal perfeito, sempre juntos, felizes, dava para ver o amor em seus olhos. Ele era um rapaz vindo de uma cidade pequena, vivera quase na miséria, apesar disso, tinha a fisionomia de um guerreiro mitológico, era forte e bonito, batalhou muito para melhorar de vida e quando se conheceram, era diretor de uma multinacional. Ela era uma moreninha burguesa que sempre tivera de tudo, corpo esbelto e gestos graciosos que apaixonavam a todos ao seu redor, quando se conheceram, ela tinha acabado de entrar no curso de direito. Foram feitos um para o outro, todos diziam.
Apesar de ter engordado um pouco, ela continuava linda, a pele tão macia, já fazia muito tempo que tiveram a última noite de sexo. Se tivesse uma arma, seria mais fácil, uma bala na cabeça dela e outra na dele, não teria que se preocupar com o que os filhos pensariam. Mas, e o futuro deles? O caçula é tão carente de afetividade materna, eles teriam que morar com a avó, aquela velha arrogante que pensa ter o rei na barriga, e viveria falando que o pai foi um vagabundo. Com certeza a vaca estragaria a cabeça dos meninos, nunca seriam felizes. Outras coisas pesavam contra esta nova idéia, além de não ter revolver em casa, ele sempre teve pavor por armas, e faria muito barulho, os meninos iriam acordar assustados, o choque seria muito grande para eles.
O dia da formatura dela, foi muito feliz e também triste, pois ele perdera o emprego uma hora antes da cerimônia. Riram, festejaram e também choraram juntos, prometeram um para o outro que arranjariam emprego e que tudo daria certo. Ela começou a trabalhar, ele não, enquanto dividiam os afazeres de casa, ela crescia no escritório e ele procurava novo emprego e fazia bicos, ela teve que parar de ajudar em casa porque o trabalho a deixava esgotada, ele teve que parar de procurar emprego para se dedicar à casa, principalmente quando o primeiro filho nasceu, a mulher não esperou nem acabar a licença maternidade, sua carreira era cada vez mais importante.
O ciúme apareceu quando um rapaz recém formado começou a trabalhar no mesmo escritório da esposa, sempre conversavam pelo telefone, viagens de negócio, encontros fora de horário, com isso, a paixão foi enfraquecendo, o gosto pela bebida aumentando, e a cada dia ficava mais resignado com sua situação.
Poderia sufocá-la com o travesseiro, ainda era forte, ficaria por cima dela, assim não teria como se debater. Mas e o contato com a pele quente dela, seu cheiro, o respirar arfante, o olhar era o que mais o incomodava, lembrou da época em que transavam feito dois adolescentes.
Durante a semana teria que ir a uma reunião na escola da menina, ela estava com umas atitudes muito estranhas, um pouco rebelde, já fora chamado umas três vezes, mas sempre arrumava uma desculpa, é coisa da idade, pensava, mas agora não teria escapatória. Esqueceu o travesseiro, essa idéia era repugnante.
Com o tempo, as cobranças apareceram, os amigos brincando que ele era dona de casa, a sociedade cobrando ocupação e negando oportunidades, a esposa que estava cansada de ser a única pessoa que sustentava a casa, a família da mulher dizendo que era feio uma mulher como a dele ser casada com vagabundo, os filhos achando estranho o papel invertido em casa.
Às vezes, entrava no banheiro para chorar sem ser ouvido, e enquanto a água gelada caia em seu corpo, sempre tomou banho na água gelada, pensava no que deu errado para sua vida chegar a esse ponto. Teve o emprego perfeito a esposa perfeita e hoje é a vergonha da família, já estava velho, a barriga cresceu, o cabelo caiu, se sentia tão cansado, impossível começar uma vida nova, o mais fácil seria acabar com essa.
Sobrou um pouco de veneno de rato da última vez em que precisaram usar. Fácil, era preciso colocar só um pouquinho no café dela e pronto, caia durinha, mas para isso, teria que conversar com ela pela última vez, a mesma conversa mecânica repetida a mais de quinze anos. Não, isso não, perderia toda a poética, tinha que ser assim como ela estava, iluminada pela lua.
A luz da lua já não batia no corpo da mulher, só percebeu um vulto quente ao seu lado, como todas as noites, apesar disso se sentia sozinho na cama. Virou para o outro lado, precisava dormir, no outro dia teria que acordar cedo para preparar o café das crianças.

terça-feira, outubro 24, 2006

PEREBA
ontem, quando comecei a escrever este texto, pensei que ele ficaria muito bom, mas hoje, depois de terminado, vejo que ficou uma merda, mas mesmo assim vou postá-lo
O sonho de Pereba sempre foi conhecer o pai, mas a avó nunca disse quem ele era, pois também não o conhecia. O pouco que lembrava da mãe, uma mulher fraca, de pele enrugada e olhos tristes, era muito feia e exalava um odor forte de urina, de vez em quando, aparecia bêbada em casa e ele tinha nojo e vergonha de chamá-la de mãe.
Sua casa era muito pequena e ele tinha que dividir um quarto minúsculo construído com papelão, lona e chapas de ferro com mais onze crianças e uma dúzia de cachorros sarnentos. Daí vem o apelido, pegou sarna dos animais e ficou muito tempo com um cobreiro horrível na pele, até que levaram o condenado a uma curandeira e ela deu para ele umas beberagens e banhos de ervas. O cobreiro foi embora, mas o apelido ficou, não se importou com isso, já que ter nome não fazia importância, ele não conhecia ninguém que tivesse nome mesmo, só apelido.
Lembranças da infância, tinha muita não. Só que a ultima vez em que a mãe veio para casa, ela deu pinga para ele beber, bebeu e ficou muito feliz, brincou com todo mundo e não queria que acabasse, mas acabou, a mãe foi embora, esperou a mãe voltar e a mãe nuca mais voltou, tinha só quatro anos. Pelo menos descobriu que quando tomava um golinho de pinga, a vida ficava mais divertida.
Aos cinco anos viu na tv de um buteco, que o novo presidente ia dar escola, roupa nova e comida para os pobres. Foi correndo para casa avisar a avó, mas ela falou que era tudo mentira e ele apanhou de um carinha novo que morava com a irmã de treze anos no mesmo barraco fazia um mês.
Chorou muito, mas encontrou uma garrafa de pinga pela metade que estava escondida atrás do fogão, bebeu, ficou alegre, apanhou de novo e jurou que nunca mais ia chorar na vida.
O primeiro amigo de Pereba era conhecido como Futrica, apesar de ter só dez anos, era esperto, só andava com roupa de marca e tênis importado, tinha até Play Station, Pereba admirava seu amigo, pois era legal com ele e deixava ele jogar vídeo game. Principalmente quando cheiravam cola ou fumavam maconha, tudo ficava tão legal.
Futrica ensinou Pereba a andar nos panos igual ele, só não podia roubar muito perto da favela, que ali os traficantes pedem respeito. Que alegre ele estava, andava bem vestido, os vizinhos até começaram a cumprimentar e tinham até os que pediam dinheiro emprestado. É lógico que ele emprestava, ladrão considerado é ladrão bom, podia fumar todo dia e de vez em quando até cheirava umas carreiras.
Um dia, depois de um roubo, Pereba conseguiu fugir, mas Futrica foi preso, ficou um mês internado no Ciaddi, depois disso, Pereba pensou que ele estava bravo por ter sido preso sozinho, mas não, Futrica saiu até alegre e disse que aprendeu muita coisa lá dentro, como ganhar dinheiro fácil, roubar carro no centro, lotérica, padaria, posto de gasolina, é dinheiro alto e fácil, só tem que arrumar arma pra se garantir. Mas isso é tranqüilo.
Apesar do risco, realmente eles conseguiram mais dinheiro, eram mais respeitados na comunidade e davam grandes churrascos para os amigos.
Certo dia, enquanto Pereba estava dentro de um carro, o dono chegou com um monte de gente e deram uma surra nele e chamaram a policia. Na delegacia, conheceu a Betinha, ele já conhecia ela de vista, menina de quinze anos que caiu vendendo pó no centro. Muito bonita a Betinha, ela tinha um filho com o Zicão, que morreu porque estava devendo pedra para o traficante da vila, dever pedra é foda, não tem perdão.
Combinaram de se encontrar quando saíssem do Ciaddi. Saíram, se encontraram e decidiram morar juntos. Agora ele tinha família para sustentar, a correria na rua aumentou e só andava armado.
Futrica resolveu que eles iam guardar uma grana para montar uma boca de fumo, pois o tráfico dá mais dinheiro. Depois de vários assaltos, passagens pelo Ciaddi, mortes por disputa por pontos de venda de drogas, já tinham o poder em toda a favela, carro novo, corrente de ouro, respeito.
A Betinha teve uma filha com ele, mas foi embora para outra favela. Mas ele não ligava podia comer a mulher que ele quisesse. E estava comendo a Renata, ele sabia que era só por causa de cocaína que ela dava pra ele, mas ela era muito gostosa.
Depois de pesquisarem, Pereba e Futrica resolveram assaltar uma joalheria do centro, eles ficariam muito ricos com aquele assalto, poderiam até se aposentar, viver de boa, igual playboy.
Enquanto se preparava, Renata chegou e disse que estava grávida dele, ele mandou ela se fuder, porque ela não passava da uma puta viciada e o filho não era dele. Mesmo com toda a argumentação de Renata, ele não quis acreditar e saiu para encontrar Futrica. Enquanto caminhava, lembrou que nunca conheceu o pai como desejava na infância e decidiu que depois do assalto iria conversar com a Renata, se o moleque fosse dele iria ter vida de rei.



MENOR MORRE EM TROCA DE TIRO COM POLÍCIA

Ontem por volta das 17 horas, o menor Carlos Andrade Silva, conhecido como Pereba, morreu após trocar tiros com a polícia em uma joalheria do centro da cidade. O delegado responsável pelo caso, disse que a PM foi chamada para uma ocorrência de roubo em uma relojoaria na rua R.J. e assim que chegou ao local, dois assaltantes tentavam fugir. O adolescente atirou contra os policiais que revidaram e acertaram um tiro em seu peito. O outro assaltante conseguiu fugir. O menor morto, tinha várias passagens pelo Ciaddi, por roubo, assalto e trafico de drogas.


quinta-feira, outubro 19, 2006

PORQUE CRIEI ESTE BLOG
A dias atrás, estava na cantina da universidade conversando com amigos sobre literatura, e alguém comentou a respeito de outra ex-prostituta que estava lançando um livro que contava suas experiências eróticas e sexuais, e houve um mau estar geral, pois muito provavelmente viraria outro campeão de vendas.
Nenhuma pessoa que estava na mesa, é contra prostitutas ou ex-prostitutas, muito menos que elas contem suas histórias em livro. O que mais nos preocupa, é a preferência de editoras e leitores por este tipo de literatura.
Mais da metade dos livros vendidos no Brasil, são de auto ajuda, depois vêm Paulo Coelho, e por fim as ex-prostitutas, deixando os autores de bons textos literários com uma parcela muito pequena do mercado.
Agora, você vai me dizer. “é, mas a culpa também é de quem compra, porque é ele quem procura”. Sim, eu sei, não sou tão estúpido para não ver a culpa do consumidor. Mas as maiores culpadas são as editoras, elas investem muito dinheiro nesses caça níqueis que dão retorno fácil, e não têm qualidade literária. E quem realmente escreve, que faz uma literatura de qualidade, é obrigado a se virar sozinho, quando consegue uma editora, o máximo que ganha é a distribuição da obra. As editoras deveriam apostar mais naqueles que batalham para ver seus contos, crônicas ou poemas lidos por pessoas que gostam de boa literatura.
Se continuar como está, vai acontecer o mesmo que na música, grande investimento em produtos sem qualidade, com retorno fácil, banalização total do artista, que é visto como mero produto descartável, acomodação e alienação do consumidor que não procura nada de qualidade, pois o produto está aí, vai consumi-lo de qualquer jeito.
Eu não sou escritor, e acho que poucos que estavam comigo sejam, mas nós estudamos literatura durante quatro anos e ficamos tristes e preocupados com a situação, pois não quero dar aula sobre “Veronika Decide Morrer”, ou dar uma prova sobre o conto de com quantos homens uma mulher transou ao mesmo tempo.
No calor da discussão, falei que como a literatura está tão banal, iria construir um personagem e contaria suas histórias em um blog. Histórias livres, se precisar, ele conta suas experiências sexuais, pode falar sobre misticismo e fé, ou então incentivar os leitores a viverem melhor e ter sucesso na vida.
E é essa a prostituição que me refiro no blog, uma prostituição moral, textos sem ideologia, feitos apenas para consumo imediato, única preocupação é vender.
Depois de montado o blog, é que eu fui pesquisar sobre o assunto, ver como as pessoas mantêm espaços para divulgar suas obras. O que mais me surpreendeu, foi a qualidade dos textos publicados. Confesso que tenho até vergonha de que algumas dessas pessoas vejam minhas bobagens, é lógico que não vou parar, pois o que faço é crítica, e é melhor criticar produzindo do que apenas com palavras.


OBS.: APESAR DO TÍTULO, MEU BLOG NÃO CONTÉM FOTOS PORNOGRÁFICAS.

segunda-feira, outubro 16, 2006

O GRANDE FINAL
NÃO QUE O TEXTO ESTEJA RUIM, ELE É RUIM. É SÓ UMA FORMA QUE ENCONTREI PARA CRITICAR A LITERATURA QUE VENDE HOJE EM DIA


Para conseguir dinheiro para sua viagem, Richardysson começou a vender cds e dvds falsificados de duplas sertanejas, o Zé dobrou seu horário de serviço nas ruas e o Bob começou a vender acarajé e vatapá em uma feira. E como o custo da viagem era muito caro, ele ficou um ano na Alemanha.
Isso foi muito bom para ele, pois descobriu que as pessoas não eram tão boas como imaginara, pois teve que ficar malandro para não ter as mercadorias apreendidas.
Até o amor conheceu, com uma putinha velha que seu irmão arrumou para ele, essa mulher tinha mais de quarenta anos, usava um dentadura tão usada que ficava rebolando dentro da boca quando ela falava, os peitos eram pequenos e caídos, as pernas flácidas e cheias de varizes e celulite, mas mesmo assim tinha vasta experiência na cama e nosso jovem herói nunca teve uma noite de sono tão boa em sua vida e como era virgem, se apaixonou pela puta e estava a ponto de abandonar seus objetivos, quando os sonhos recomeçaram.
Certa noite, enquanto esperava sua amante chegar, pegou no sono e sonhou que estava em um bar repleto de gente, essas pessoas estavam com a fisionomia triste apesar de beberem e conversarem amistosamente. Mas o s rostos tristes o incomodava, ele sentia uma agonia, um aperto no coração. De repente, surgiu em sua frente, uma morena de biquíni minúsculo, corpo escultural, seios fartos e curvas perfeitas. Essa morena sentou em sua mesa, pegou sua mão e falou com voz meiga.
Oi meu amor, o que aconteceu que você está demorando tanto?
Como assim, demorando? Eu não te conheço. E porque essas pessoas estão tão tristes?
Ora benzinho, você está querendo desistir do seu objetivo, e eles estão assim por isso. Enquanto falava isso, ela enlaçou seu pescoço, e sussurrou em seu ouvido. Não desista meu amor, assim que você retomar sua viagem, as pessoas que estão aqui ficarão felizes. E eu te darei um presente que você nunca mais esquecerá. Falou e mordiscou sua orelha.
Richardysson fechou os olhos de prazer, e quando os reabriu, estava de volta em sua cama. Levantou pra tomar um copo de leite, e enquanto ia para a cozinha, reparou na casa vazia, e sentiu a mesma solidão de quando vivia sozinho, e percebeu que realmente não poderia continuar em um mundo que não era seu, tinha que prosseguir sua viagem até acalentar seu coração.
No outro dia, logo pela manhã, acordou seu irmão para ver se o dinheiro adquirido ao longo do ano seria suficiente para a partida, e ficou decidido que ele partiria daqui a um mês. Bob deu algumas dicas sobre o Brasil. Ensinou a como andar com a carteira sem tê-la roubada, o Rio de Janeiro só é maravilhoso nas novelas da Globo, que na verdade é sujo e violento. E tomar maior cuidado com a pior espécie de pessoas do país, os políticos brasileiros, pois se ele acreditar nessa raça, além de perder tudo o que têm pode morrer de fome ou ser preso no lugar deles. Também passou o endereço de alguns amigos que poderiam ajudá-lo em qualquer dificuldade.
O Zé conseguiu comprar uma passagem de navio com um capitão brasileiro amigo seu, nada luxuoso, pois ele precisaria economizar o máximo de dinheiro possível.
O dia da partida amanheceu lindo, quente e sem nuvens, e uma brisa quente batia no rosto.
Bom pessoal, chegou a hora da despedida. Disse Richardysson para seus amigos. Vou sentir muita saudade de vocês dois.
Ai maninho, estou com o coração partido. Falou o Zé enxugando as lágrimas com um lenço. Mas se é esse o seu destino, vou rezar por você, mas já estou com saudade.
Não se preocupe Zé, vai dar tudo certo, e quando chegar lá eu mando notícias.
Nossa, é verdade. Parece que o bofe ta indo pra forca, assim do jeito que você fala. Disse Bob tentando animar a despedida. Olha amorzinho, não se preocupe com nada porque vai dar tudo certinho, assim que chegar lá procure meus conhecidos, que eu já mandei recado falando de você.
Obrigado Bob, você foi um verdadeiro amigo, e nunca me esquecerei de você.
Que isso amor, foi um prazer te ajudar, apesar de o que eu quis te dar você recusou. Mas não esqueça meus conselhos que você vai se dar muito bem no Brasil.
Nesse momento o navio deu aviso de que já estava partindo, os três se abraçaram afetivamente e se despediram.
O navio era na verdade um cargueiro brasileiro, ele trazia soja transgênica para a europa e na volta, levava pneu meia vida. Richardysson assim que entrou no navio, se dirigiu a sua cabine e deitou para descansar um pouco. Na hora do jantar, o próprio capitão foi chamá-lo.
O capitão era um homem alto e magro, porém forte, a pele queimada de sol e no andar tinha um gingado de malandro, e um belo bigode dava um charme a mais para aquele homem de meia idade com fala mansa. Esse homem acompanhou Richardysson até uma sala que era usada como refeitório por ele e seus oficiais.
Então meu jovem, o que está achando da viagem até o momento?
Bom, não vi muita coisa ainda, pois assim que entrei no navio, fui direto para a cabine e dormi até agora, mas está até mais tranqüilo do que eu imaginava.
Que bom, e para você ficar mais tranqüilo, a viagem será calma até o Brasil. Falando nisso, o que você pretende fazer em meu país?
Para não ser considerado louco, Richardysson resolveu não falar a verdade e inventar uma desculpa.
Sabe o que é? Eu fiquei sabendo que o Brasil é famoso pelo turismo sexual, e que em alguns lugares do nordeste, as autoridades fingem que não existe. Então resolvi conhecer essa zona.
Garoto esperto. Posso te garantir que vai adorar, as meninas do nordeste são muito receptivas. O único problema é que nós vamos aportar no sul, mas lá você dá um jeito.
Jantaram e conversaram sobre assuntos diversos até altas horas da noite.
A viagem durou cerca de quarenta dias e foi muito tranqüila, e não aconteceu nada de interessante para ser narrado, apenas um pouco de nervosismo por parte de Richardysson.
O capitão avisou que o navio iria aportar em Itajaí no litoral catarinense, nisso Richardysson foi para um lugar em que podia ver boa parte da praia que se aproximava, e achou tudo lindo e o nervosismo se transformou em admiração e espanto.
Assim que o navio aportou, o jovem se despediu do capitão e foi procurar uma pousada para descansar e pesquisar sobre o que deveria fazer.
Enquanto ele caminhava pelas ruas da cidade, ficou encantado com o que via, as ruas lembravam um pouco as ruas européias e ele desconfiou que seria por causa da colonização. As pessoas eram lindas, todas bronzeadas, e fisionomia bonita, e vestiam roupas curtas e leves. O clima que ele pensou ser insuportável, não passava de uma brisa fresca e agradável.
Achou um hotel simples mas aconchegante, e dormiu até o outro dia para tirar a fatiga do corpo. Acordou espantado com o tempo que ficou dormindo e saiu para almoçar em um restaurante perto do hotel.
Enquanto almoçava, ele pensava no que precisaria fazer para continuar seu caminho, até que entrou no restaurante um rapaz sem camisa, e pediu uma cerveja, esse rapaz chamou sua atenção, por ter um galo muito parecido com o da medalha tatuado em suas costas. Richardysson ficou intrigado com aquilo e achou que poderia ser um sinal. Criou coragem e foi falar com o rapaz.
Bom dia, posso sentar na mesa com você, eu te pago uma cerveja. Falou com vergonha e muita educação.
De boa véio, fica a vontade, meu nome é Leandro, aqui a gente sempre trata bem os turistas, de onde você é meu irmão.
Sou da Rússia e meu nome é Richardysson.
Caraio, é longe pra porra, o que você ta fazendo perdido aqui, nem é época de temporada.
Estou procurando alguma coisa, mas o que mais me interessou, é essa tatuagem em suas costas, tem algum significado?
Até tem meu. Eu sou de Floripa, e lá rola umas paradas de ser considerado um lugar místico, e minha mãe é tida como bruxa. E ela atribui ao galo sua fonte de energia.
Por favor, você poderia me levar até lá? Perguntou Richardysson, sem poder esconder o nervosismo.
Mas é claro meu irmão, mas porque você tá tão nervoso assim?
Richardysson tirou a medalha do peito e explicou toda a história para Leandro, esse ficou impressionado com o relato e se prontificou a levá-lo o mais rápido possível à presença de sua mão.
Mas eu tenho que te avisar véio, ela já é bem de idade e está um pouco senil.
Não tem problema, eu preciso vê-la assim mesmo.
Enquanto Richardysson foi para o hotel arrumar suas coisas, Leandro pagou a conta e o esperou. Depois Montaram em uma Turuna velha e partiram para Florianópolis. No meio do caminho, Leandro deu um cigarro especial para Richardysson, para ele entrar em sintonia com as energias da ilha e ele chegou a chorar de tão impressionado com as maravilhas que se apresentavam a seus olhos.
Após chegarem a uma praia, caminharam por uma trilha no meio da mata fechada e no topo de um morro, onde tinha uma vista linda da praia, avistaram um casebre de madeira e entraram nele. Apesar de lembrar sua casa, era maior e mais confortável.
Mãe, trouxe um camarada que quer falar com a senhora. Leandro disse para uma senhora que estava sentada em uma cadeira olhando fixo para o mar.
Sim, eu sei meu filho, faz muito tempo que espero esta visita. Vai falar para a Kellye Maria preparar o jantar. Depois de falar isso, pegou nas mãos de Richardysson e olhou fixo para seus olhos. O jovem pôde perceber que uma lágrima corria pelo rosto cansado da mulher.
Venha rapaz, vamos sentar na sala para podermos conversar mais a vontade.
Ela o conduziu a uma sala escura e o fez sentar em uma poltrona confortável e sentou à sua frente mas não disse nada. Depois de uns dez minutos de silêncio agonizante e não agüentando mais, Richardysson resolveu falar.
Eu estou à procura de algo, a felicidade e estou a muito tempo viajando, e até agora só encontrei perguntas sem respostas, estou aqui para que a senhora me diga que rumo tomar.
Meu filho, meu nome é Roxane Avelar, e nasci com o dom da magia branca, o que rege o meu poder é o galo, minha filha, Kellye Maria também tem esse dom e estou ensinando-a a viver com esse dom.
Sim mas o que tem a ver isso comigo?
O galo significa uma vida boa e tranqüila ao lado da pessoa amada, quem recebe esse dom, apesar das dificuldades da vida, sabendo usar o poder, consegue tudo o que deseja. Você nasceu no ano do galo, no exato momento que ele radiava o máximo de poder, mas infelizmente, não foi no lugar correto, e deste aquele momento, deixou de existir uma sincronia entre as pessoas que recebem o dom e suas vidas, o que faz com que elas não consigam atingir seus objetivos.
A senhora quer dizer que eu sou a desgraça das pessoas? Mas se isso for verdade, a culpa não é minha.
Eu sei, por isso é que a mais de vinte anos tento trazê-lo para junto de mim, pois só assim existirá o reajuste do poder e as pessoas pararão de sofrer.
Por favor, me ajude, o que eu tenho que fazer para tudo voltar ao normal? Enquanto falava isso, Richardysson caiu em prantos.
Roxane pegou em suas mãos e deixou que ele chorasse muito, já um pouco refeito, ela acariciou seu rosto e sorrindo falou.
Viva meu jovem, esse fardo já não te pertence mais, a partir de agora a sua única obrigação é ser feliz. Eu já te disse tudo o que você precisava saber, agora vou ver o jantar porque você deve estar morrendo de fome.
Kelly Maria, que preparou o jantar e serviu a mesa, era uma mulher muito linda, tilnha os cabelos loiros e olhos verdes, a pele bronzeada dava destaque ao seu corpo magro e perfeito e era muito simpática. Durante o jantar ela e Richardysson, trocaram vários olhares e até ficaram com vergonha um do outro.
Depois de comerem, Leandro acendeu uma fogueira do lado de fora da casa e todos ficaram conversando e ouvindo reggae até tarde da noite. Quando foi dormir, Richardysson sentiu uma paz muito grande em seu coração e resolveu que eiria morar ali pelo resto de sua vida.
O dia amanheceu chuvoso e frio, e dava para ver que o mar estava revoltado, Roxane estava sentada na praia olhando para o mar, Richardysson ficou preocupado e quis ir lá buscá-la, mas Kellye Maria falou que era normal ela fazer isso. De repente, a chuva engrossou, e dava para ouvir o mar batendo com violência nas rochas. Meia hora depois, inacreditavelmente, o tempo limpou e saiu um sol maravilhoso. Roxane havia desaparecido, muitos dizem que ela foi engolida por uma onda gigante. Mas isso não importa, pois a paz reinou na ilha após aquele dia.

quarta-feira, outubro 04, 2006

CONTINUAÇÃO 2
AMANHÃ O GRANDE FINAL
Nosso jovem herói acompanhou o irmão até sua casa e não sabia o que pensar, pois sempre pensara que o caçula fosse macho, apesar de gostar de Rebeldes e música sertaneja. A casa de Zé ficava em um bairro pouco afastado de rua da promiscuidade, e um pouco mais calmo. Interiormente, era bem confortável, os cômodos grandes e em cima da lareira existia um pôster enorme da Madona, o rapaz ficou muito tempo admirando aquilo, pois apesar de conhecer algumas musicas dela, nunca a havia visto.
Gostou? Perguntou o Zé após dar ordens para que Bob servisse o jantar. Eu coloquei em cima da lareira para que ela sempre fique de rabo quente.
Interessante. Respondeu Richardysson, desviando seu olhar para Bob.
Bob era uma bichinha latina muito feio, de baixa estatura e extremamente magro, os cabelos eram crespos com uma tintura loira já descolorada, mas muito alegre e divertida. Ele viera para a Alemanha tentar a vida como cabeleireiro, mas, depois de muito sofrer e não conseguir nada fixo, conheceu Zé e seu companheiro e ficaram muito amigos, após o sumiço do amigo de Zé, ele veio morar com o rapaz e fazia serviços domésticos como forma de pagamento por morar de graça.
Então Zé, estou curioso para saber o que aconteceu com você.
Ai Rick, desde quando nós morávamos com o titio, eu sabia que era diferente, pois enquanto você chorava depois dos abusos dele, eu adorava.
Isso eu havia percebido, mas como você chegou a virar uma quase mulher?
Nossa, eu fiquei maravilhada quando vim para a Alemanha. entusiasmou-se a falar. Isso sim é país, ninguém se importa se você é gay ou não.
No meio do show do rebeldes, eu conheci o Credisvaldo e foi amor à primeira vista. Os olhos de Zé se encheram de lágrimas e ele falava com tristeza. Que homem, um verdadeiro ariano, ele era loiro, tinha os olhos verdes, alto e sex. Então compramos essa casa e ele pagou a cirurgia para eu mudar de sexo. E vivemos muitos anos felizes. Nesse ponto, ele parou de falar para enxugar algumas lágrimas que escorriam pelo seu rosto, respirou fundo e continuou: infelizmente, o pai dele descobriu e foi contrário ao nosso amor, obrigando-o a se alistar no exercito alemão, desde então nunca mais o vi.
Que triste Zé, mas pelo que vejo, você consegue levar uma vida boa, pois não é fácil manter uma casa assim.
Aí é que está manino, para me manter eu me prostituo, e se não fosse o Bob que veio morar comigo, eu já tinha me matado, quero dizer evoluído, porque você sabe né, bicha não morre, vira purpurina.
Não é fácil realmente, mas fique tranqüilo que eu apóio sua opção, se é isso que escolheu para sua vida.
Eu estou louca para saber como você veio parar tão longe de casa, mas não agora, pois vamos comer, e fique sabendo que a comida do Bob é divina.
Durante o jantar, a alegria reinou na mesa, eles lembraram coisas engraçadas de sua infância e Bob divertiu os dois irmão com suas histórias tragicômicas, o que fez com que Richardysson criasse simpatia pelo rapaz.
Após o jantar, Richardysson, contou como foi parar na Alemanha, contou também a respeito dos sonhos e mostrou a medalha.
Pegando a medalha, Bob falou que não era uma galinha, e sim um galo, e seu número no jogo do bicho é treze.
Agora sim eu estou perdido, não entendo nada do que você está falando.
Calma bofe, é que eu sou baiana, e sempre tive o costume de associar tudo o que vejo com o jogo do bicho, sem dizer que antes de vir pra cá eu era apontador do jogo.
Mas o que tem a ver o jogo do bicho com o meu destino.
Queridinho, eu ainda não sei, mas se quiser eu jogo o búzios para você e vejo seu futuro. Ofereceu Bob todo solicito.
É lógico que eu quero, espero com isso descobrir o que eu realmente procuro.
Uau, vou ter o maior prazer em te ajudar, vou no meu quarto me preparar e já volto. a bicha levantou te um pulo só e correu para seu quarto.
Meia hora depois ele apareceu vestido de baiana veia, apesar de vontade de cair na gargalhada, Richardysson respeitou o rapaz, esse, estava com ar sério, sentou à frente do outro e preparou os búzios para serem jogados olhando fixo em seus olhos.
Após ter jogado os búzios e os observado por certo tempo, finalmente disse, com a voz alterada, você procura algo que não sabe o que é. Não sabe porque não analisou as dicas que estão ao seu redor.
É isso o que eu não entendo, eu não consigo procurar as respostas, mas não tenho nem as perguntas, você pode me ajudar?
Sim posso. O que você procura é a felicidade, simplesmente isso, mas como sempre sofreu, não acredita que ela possa existir.
Mas se é só isso, eu não precisaria sair de casa, poderia encontrá-la na minha terra mesmo.
Você está errado, muita gente precisa de você para ser feliz, e para isso, você precisa se encontrar com essas pessoas.
Que lugar é esse? Como faço para chegar até lá? E quem são essas pessoas que precisam de mim?
Eu vejo que o lugar, que já é conhecido pelo seu coração, encontra-se no Brasil, o resto, fica por você. Mas posso garantir que sua missão será realizada.
Logo que terminou essas palavras, Bob caiu no chão desmaiado, e assim que recobrou a consciência, suas primeiras palavras foram as seguintes:
Gente que santo forte tem este homem, estou acabada.
Lamentando-se disse Richardysson, acabado estou eu, como eu vou para o Brasil, se alem de longe, eu não tenho dinheiro para chegar até lá.
Calma Rick, disse Zé, que até aquele momento só observava a situação, eu vou te ajudar a ir para o brasil.
Como? se você falou que não consegue muito dinheiro.
Não é bem assim maninho, eu tenho umas economias, e se for preciso, eu dobro o horário de serviço.
Mas você aquenta muitos homens por dia?
Ta me ofendendo? Eu aquento quantos quiser, e outra, já não tenho pregas no rabo a muito tempo.
Você vai amar o Brasil, disse Bob, totalmente recuperado, lá é lindo, as praias são paradisíacas, o povo é acolhedor, e nem te falo sobre sexo, porque são os melhores.
Eu espero gostar mesmo. Mas se você diz que o Brasil é tão bom, porque veio para cá?
Queridinho, se já é difícil uma bicha pobre sobreviver na europa, imagina em um país subdesenvolvido.
Por ser tarde da noite, foram todos descansar para no outro dia começarem a preparação da grande viagem.
Enquanto preparava-se para a viagem, Richardysson ficou morando com seu irmão.

segunda-feira, outubro 02, 2006

CONTINUAÇÃO
VAI TER UM POUCO MAIS DE TRÊS PARTES, MAS O FIM SERÁ SURPREENDENTE
Richardysson deitou-se exausto já tarde da noite e quando estava quase dormindo, alguém bateu em sua porta. Duvidando que alguém poderia sair de casa em um dia como aquele em que o frio e o vento glacial castigavam tudo em que tocavam, apenas virou de lado na cama e fechou os olhos. As batidas ficaram mais intensas, então ele levantou para ver se era algum viajante desavisado precisando de ajuda.
Ao abrir a porta, levou um grande susto e não acreditou no que via, em sua frente tinha uma praia de areia extremamente branca, a água era tão límpida que dava para ver os peixes, e mesmo estando apenas de cueca do pokemon, não sentia frio, pois o vento que batia em seu rosto, não passava de uma brisa quente.
Não encontrou ninguém, saiu de casa sem entender nada, procurou por toda a praia uma pessoa que pudesse explicar como ele fora parar ali. Encontrou perto de uma encosta, um senhor que jogava um molinete na água e apesar de não pegar nada, estava com a fisionomia de quem está com sorte na pescaria.
O jovem chegou perto do senhor para saber onde estava e puxou assunto.
Bom dia, disse ele, como está a pescaria?
Dia, está como todos os dias, muito boa. Respondeu o velho com simplicidade.
Mas faz tempo que eu reparo no senhor, e todas as vezes em que puxa a linha, não trás nenhum peixe, e mesmo assim continua tentando. Não seria melhor mudar de lugar?
O homem colocou o molinete de lado, tirou os óculos de sol e olhou para ele com bondade e disse: meu filho, cada um tem uma função na vida, a minha é ficar aqui tentando pescar um único peixe, a sua não é morrer dentro de um barraco no meio do nada, você já recebeu várias mostras de que deve largar tudo e seguir seu destino.
Mas como? se não faço a mínima idéia de onde eu devo ir. Não sei que praia é essa onde estou, e não conheço ninguém que possa me ajudar. Respondeu Richardysson quase aos prantos, pois estava mais perdido que cego em tiroteio.
Você não precisa saber, por enquanto, que lugar é esse, a única coisa a fazer é começar a sua busca e para isso, você já tem tudo o que precisa, o medalhão vai te guiar.
Depois de falar, o velho voltou a jogar a isca no mar, o rapaz ficou observando o trabalho sem saber no que pensar. Isso durou muito tempo, em um silêncio absoluto até que o homem fisgou um peixe. Enquanto ele puxava o peixe para fora da água começou a ventar muito forte e ao tentar falar alguma coisa, Richardysson encoberto por uma nuvem de areia, não viu mais nada e quando teve consciência de si, encontrou-se deitado em sua cama e suava muito.
Já era a quinta noite consecutiva que tivera o mesmo sonho, ele pegou o medalhão e decidiu sair à busca daquilo que ele não sabia o que era, mas seu espírito o obrigava a procurar.
Uma semana depois, já preparado, entregou a chave do barraco para um amigo e saiu sem saber para onde e sem data de volta.
Para começar sua jornada decidiu ir para a Alemanha ver se encontrava o Zé. Comprou uma passagem de trem para Hamburgo. Apesar de a poltrona que ele reservou ser a mais barata, nunca tinha visto tanto luxo em sua vida e ficou maravilhado com o que via pela janela.
Durante a noite, teve um sonho, nesse sonho o velho da praia estava com seu irmão e os dois conversavam sobre ele, e estavam felizes por ele ter escolhido mudar de vida. Ele acordou alegre por ter tido aquele sonho e percebeu que fez uma boa escolha em procurar o irmão. Apesar de sua alegria, foi informado de que a viagem duraria pelo menos seis dias, ficou preocupado, pois suas provisões eram para apenas três dias, mas isso não o desanimou e economizou o máximo que pode.
Chegando a Hamburgo, ficou atônito com a cidade e percebeu que não seria fácil encontrar o irmão mais novo.
Apesar de pouco dinheiro que tinha, conseguiu ficar em hotel, daqueles em que as pessoas pagam para transar com prostitutas decadentes de rua. Enquanto descansava e ouvia gemidos de gozo por todas as paredes, teve um sonho, em que andava por uma rua muito movimentada e apesar de estar pelado, não sentia vergonha, percebeu também que as mulheres da rua provocavam as pessoas que passavam por elas e essas mulheres tinham bigode.
O coitado acordou todo gozado, e não sabia como tinha acontecido aquilo com ele, a única certeza que tinha é que iria procurar aquela rua.
Logo pela manhã, parou em uma cantina para tomar café, enquanto esperava o café ficar pronto, perguntou para o garçom se existia uma rua com as características na cidade. O garçom com um sorriso malicioso nos lábios explicou onde ficava a rua e após se alimentar ele saiu em direção a essa rua.
Não foi difícil encontrar, apesar de ser um pouco diferente da rua do sonho, sabia que era ali que ele precisava procurar algo ou alguém que não sabia o que era.
Depois de ter cruzado a rua toda duas vezes, quis comer e parou para perguntar a uma mulher onde tinha um restaurante nas redondezas. A mulher estava com uma saia muito curta, era loira e usava uma blusa que mostrava metade dos peitos. Mesmo com vergonha Richardyssom resolveu perguntar para ela, pois tinha um rosto familiar.
Restaurante eu não sei benzinho, mas se quiser fazer um programinha eu te levo pra onde você quiser. Foi a resposta da mulher.
Olha moça, me desculpa mas tenho pouco dinheiro e só quero mesmo comer.
Nossa, que homem gentil, aposto que o bofe não é daqui.
Não, sou do interior da Rússia, respondeu já querendo se afastar da mulher.
Calma aí queridinho, eu não mordo não, a não ser que me pague. Enquanto falava isso, a mulher jogava o cabelo de um lado para outro. Tem mais, eu também sou do interior da Rússia. De onde você é meu amor.
Sou de Ostrov Kildin, aposto que você nunca ouviu falar nesse lugar.
Me acuda, gente eu estou passada, deixa eu te ver melhor, eu não acredito. A mulher ficou tão alegre que Richardysson pensou que ela ia desmaiar ali mesmo.
Calma, para que tanto alvoroço só por causa do nome de um lugar.
Você não me reconhece bobo? Sou eu, o Zé.
Depois de ter ouvido isso, Richardysson ficou branco e quase saiu correndo, mas as pernas estavam tão moles que ele não teve força.
Como assim você é o Zé? Meu irmão é homem, ele nunca teria uns peitos tão grandes como os seus. Nem sei se ele está vivo.
Rick, sou eu mesmo, quando eu vim para a Alemanha no show do Rebeldes, eu conheci um carinha que além de rico, era lindo. Nós nos apaixonamos e eu fiz uma operação para troca de sexo.
Mas se ele era rico. O que você ta fazendo aqui na rua vestido desse jeito?
Ai, é uma longa história, vamos para casa, que lá eu conto tudo e você me diz o que ta fazendo aqui nessa loucura de cidade.