VIDA, SIMPLESMENTE VIDA.
na realidade, nem sei porque escrevi isso, só sei que acordei com essa história na cabeça.
Quando chegou em casa, entrou no quarto tentando não fazer muito barulho, pois era tarde da noite. Tirou a roupa e deitou-se cuidadosamente ao lado da esposa para não acordá-la. A luz fraca da lua entrava pela janela e ele podia ver perfeitamente o corpo da mulher que jurou amar até que a morte os separasse.
Deu vontade de pegar uma faca e cortar o pescoço dela, um golpe só, certeiro na jugular, nem teria dor, apenas sangue, muito sangue. Seria até romântico, marido mata esposa à luz do luar.
Mas o que pensariam os filhos sobre sua atitude, matar a mãe sem motivo, ainda mais uma mulher que sempre deu o que ele precisava, nunca faltou nada em sua vida, no mínimo teriam ódio do pai, e ele nem teria o direito de pedir perdão, porque eles não entenderiam.
Quando casaram, os amigos diziam que era um casal perfeito, sempre juntos, felizes, dava para ver o amor em seus olhos. Ele era um rapaz vindo de uma cidade pequena, vivera quase na miséria, apesar disso, tinha a fisionomia de um guerreiro mitológico, era forte e bonito, batalhou muito para melhorar de vida e quando se conheceram, era diretor de uma multinacional. Ela era uma moreninha burguesa que sempre tivera de tudo, corpo esbelto e gestos graciosos que apaixonavam a todos ao seu redor, quando se conheceram, ela tinha acabado de entrar no curso de direito. Foram feitos um para o outro, todos diziam.
Apesar de ter engordado um pouco, ela continuava linda, a pele tão macia, já fazia muito tempo que tiveram a última noite de sexo. Se tivesse uma arma, seria mais fácil, uma bala na cabeça dela e outra na dele, não teria que se preocupar com o que os filhos pensariam. Mas, e o futuro deles? O caçula é tão carente de afetividade materna, eles teriam que morar com a avó, aquela velha arrogante que pensa ter o rei na barriga, e viveria falando que o pai foi um vagabundo. Com certeza a vaca estragaria a cabeça dos meninos, nunca seriam felizes. Outras coisas pesavam contra esta nova idéia, além de não ter revolver em casa, ele sempre teve pavor por armas, e faria muito barulho, os meninos iriam acordar assustados, o choque seria muito grande para eles.
O dia da formatura dela, foi muito feliz e também triste, pois ele perdera o emprego uma hora antes da cerimônia. Riram, festejaram e também choraram juntos, prometeram um para o outro que arranjariam emprego e que tudo daria certo. Ela começou a trabalhar, ele não, enquanto dividiam os afazeres de casa, ela crescia no escritório e ele procurava novo emprego e fazia bicos, ela teve que parar de ajudar em casa porque o trabalho a deixava esgotada, ele teve que parar de procurar emprego para se dedicar à casa, principalmente quando o primeiro filho nasceu, a mulher não esperou nem acabar a licença maternidade, sua carreira era cada vez mais importante.
O ciúme apareceu quando um rapaz recém formado começou a trabalhar no mesmo escritório da esposa, sempre conversavam pelo telefone, viagens de negócio, encontros fora de horário, com isso, a paixão foi enfraquecendo, o gosto pela bebida aumentando, e a cada dia ficava mais resignado com sua situação.
Poderia sufocá-la com o travesseiro, ainda era forte, ficaria por cima dela, assim não teria como se debater. Mas e o contato com a pele quente dela, seu cheiro, o respirar arfante, o olhar era o que mais o incomodava, lembrou da época em que transavam feito dois adolescentes.
Durante a semana teria que ir a uma reunião na escola da menina, ela estava com umas atitudes muito estranhas, um pouco rebelde, já fora chamado umas três vezes, mas sempre arrumava uma desculpa, é coisa da idade, pensava, mas agora não teria escapatória. Esqueceu o travesseiro, essa idéia era repugnante.
Com o tempo, as cobranças apareceram, os amigos brincando que ele era dona de casa, a sociedade cobrando ocupação e negando oportunidades, a esposa que estava cansada de ser a única pessoa que sustentava a casa, a família da mulher dizendo que era feio uma mulher como a dele ser casada com vagabundo, os filhos achando estranho o papel invertido em casa.
Às vezes, entrava no banheiro para chorar sem ser ouvido, e enquanto a água gelada caia em seu corpo, sempre tomou banho na água gelada, pensava no que deu errado para sua vida chegar a esse ponto. Teve o emprego perfeito a esposa perfeita e hoje é a vergonha da família, já estava velho, a barriga cresceu, o cabelo caiu, se sentia tão cansado, impossível começar uma vida nova, o mais fácil seria acabar com essa.
Sobrou um pouco de veneno de rato da última vez em que precisaram usar. Fácil, era preciso colocar só um pouquinho no café dela e pronto, caia durinha, mas para isso, teria que conversar com ela pela última vez, a mesma conversa mecânica repetida a mais de quinze anos. Não, isso não, perderia toda a poética, tinha que ser assim como ela estava, iluminada pela lua.
A luz da lua já não batia no corpo da mulher, só percebeu um vulto quente ao seu lado, como todas as noites, apesar disso se sentia sozinho na cama. Virou para o outro lado, precisava dormir, no outro dia teria que acordar cedo para preparar o café das crianças.
Deu vontade de pegar uma faca e cortar o pescoço dela, um golpe só, certeiro na jugular, nem teria dor, apenas sangue, muito sangue. Seria até romântico, marido mata esposa à luz do luar.
Mas o que pensariam os filhos sobre sua atitude, matar a mãe sem motivo, ainda mais uma mulher que sempre deu o que ele precisava, nunca faltou nada em sua vida, no mínimo teriam ódio do pai, e ele nem teria o direito de pedir perdão, porque eles não entenderiam.
Quando casaram, os amigos diziam que era um casal perfeito, sempre juntos, felizes, dava para ver o amor em seus olhos. Ele era um rapaz vindo de uma cidade pequena, vivera quase na miséria, apesar disso, tinha a fisionomia de um guerreiro mitológico, era forte e bonito, batalhou muito para melhorar de vida e quando se conheceram, era diretor de uma multinacional. Ela era uma moreninha burguesa que sempre tivera de tudo, corpo esbelto e gestos graciosos que apaixonavam a todos ao seu redor, quando se conheceram, ela tinha acabado de entrar no curso de direito. Foram feitos um para o outro, todos diziam.
Apesar de ter engordado um pouco, ela continuava linda, a pele tão macia, já fazia muito tempo que tiveram a última noite de sexo. Se tivesse uma arma, seria mais fácil, uma bala na cabeça dela e outra na dele, não teria que se preocupar com o que os filhos pensariam. Mas, e o futuro deles? O caçula é tão carente de afetividade materna, eles teriam que morar com a avó, aquela velha arrogante que pensa ter o rei na barriga, e viveria falando que o pai foi um vagabundo. Com certeza a vaca estragaria a cabeça dos meninos, nunca seriam felizes. Outras coisas pesavam contra esta nova idéia, além de não ter revolver em casa, ele sempre teve pavor por armas, e faria muito barulho, os meninos iriam acordar assustados, o choque seria muito grande para eles.
O dia da formatura dela, foi muito feliz e também triste, pois ele perdera o emprego uma hora antes da cerimônia. Riram, festejaram e também choraram juntos, prometeram um para o outro que arranjariam emprego e que tudo daria certo. Ela começou a trabalhar, ele não, enquanto dividiam os afazeres de casa, ela crescia no escritório e ele procurava novo emprego e fazia bicos, ela teve que parar de ajudar em casa porque o trabalho a deixava esgotada, ele teve que parar de procurar emprego para se dedicar à casa, principalmente quando o primeiro filho nasceu, a mulher não esperou nem acabar a licença maternidade, sua carreira era cada vez mais importante.
O ciúme apareceu quando um rapaz recém formado começou a trabalhar no mesmo escritório da esposa, sempre conversavam pelo telefone, viagens de negócio, encontros fora de horário, com isso, a paixão foi enfraquecendo, o gosto pela bebida aumentando, e a cada dia ficava mais resignado com sua situação.
Poderia sufocá-la com o travesseiro, ainda era forte, ficaria por cima dela, assim não teria como se debater. Mas e o contato com a pele quente dela, seu cheiro, o respirar arfante, o olhar era o que mais o incomodava, lembrou da época em que transavam feito dois adolescentes.
Durante a semana teria que ir a uma reunião na escola da menina, ela estava com umas atitudes muito estranhas, um pouco rebelde, já fora chamado umas três vezes, mas sempre arrumava uma desculpa, é coisa da idade, pensava, mas agora não teria escapatória. Esqueceu o travesseiro, essa idéia era repugnante.
Com o tempo, as cobranças apareceram, os amigos brincando que ele era dona de casa, a sociedade cobrando ocupação e negando oportunidades, a esposa que estava cansada de ser a única pessoa que sustentava a casa, a família da mulher dizendo que era feio uma mulher como a dele ser casada com vagabundo, os filhos achando estranho o papel invertido em casa.
Às vezes, entrava no banheiro para chorar sem ser ouvido, e enquanto a água gelada caia em seu corpo, sempre tomou banho na água gelada, pensava no que deu errado para sua vida chegar a esse ponto. Teve o emprego perfeito a esposa perfeita e hoje é a vergonha da família, já estava velho, a barriga cresceu, o cabelo caiu, se sentia tão cansado, impossível começar uma vida nova, o mais fácil seria acabar com essa.
Sobrou um pouco de veneno de rato da última vez em que precisaram usar. Fácil, era preciso colocar só um pouquinho no café dela e pronto, caia durinha, mas para isso, teria que conversar com ela pela última vez, a mesma conversa mecânica repetida a mais de quinze anos. Não, isso não, perderia toda a poética, tinha que ser assim como ela estava, iluminada pela lua.
A luz da lua já não batia no corpo da mulher, só percebeu um vulto quente ao seu lado, como todas as noites, apesar disso se sentia sozinho na cama. Virou para o outro lado, precisava dormir, no outro dia teria que acordar cedo para preparar o café das crianças.
