SE ELE PODE, EU TAMBÉM POSSO
hoje não vou falar nada erótico, é penas um conto, uma crítica, e como tá ficando muito grande eu dividi em três partes.
Richardysson Wolfemberg of Silva, morador da ilha de Ostrov Kildin, era o mais velho de dois irmãos e tinha vinte e três anos. Apesar de ter um corpo forte, e aparentar boa saúde, nunca teve uma vida fácil, sempre trabalhou muito para poder se sustentar. A mãe morreu no parto de seu irmão Zé, e quando tinha cinco anos, o pai caiu da torre da Igreja Universal do Reino de Deus em que estava trabalhando.
Depois dessa tragédia, foi morar com um tio em uma invasão de Sem Terra em Zarubikra. Esse tio, mais poderia ser comparado a um monstro do que a um humano, tão asqueroso e estúpido que era, um ser alto, gordo, com o corpo cheio de pêlos e tinha cheiro de banha de capivara, mas foi o único que se dispôs a receber os meninos, e tinha como profissão, cortador de cana, profissão essa que Richardysson aprendeu logo.
Durante as noites frias de vento cortante, os três eram obrigados a dormir juntos, o tio de Richardysson aproveitava a situação para fazer tudo quanto era tipo de obscenidades com os dois, como tinha um coração bom e seu tio falara que aquilo era normal, ele agüentou tudo calado apesar de não gostar, e via que o Zé ficava feliz depois das brincadeiras.
Morando já a dois anos com seu tio e adaptado à dureza do serviço, uma doença terrível assolou toda a Rússia e seu tio morreu infectado pela gripe do frango. Para piorar, o Zé conseguiu uma grana para ir a Alemanha ver o show do Rebeldes, e nunca mais voltou.
O pobre mancebo não teve tempo para ficar triste por suas perdas, pois seu coração já se endurecera demais para sentir piedade ou compaixão pelos outros. Com poucos amigos ele se limitou a trabalhar arduamente dia após dia para se manter vivo.
Certo dia, enquanto cortava cana, uma cobra que resolvera fazer seu ninho em uma moita perto de onde Richardysson trabalhava, se sentiu ameaçada e já pronta para dar o bote que poderia ser fatal, foi percebida por ele e com um golpe certeiro de foice teve a cabeça decepada. O rapaz não sabia se agradecia aos céus por ter se livrado de uma morte dolorosa ou se lamentava por continuar vivendo naquela merda de vida que não tinha sentido para ele a não ser sofrimento e trabalho.
Pelo menos ele tinha uma mistura a mais para comer, e o couro da cobra poderia render alguns cruzados novos, enquanto preparava sua comida, reparou algo dentro da cobra.
Que estranho, uma medalha dentro da cobra e com uma galinha desenhada nela, nunca vi nem ouvi falar em uma coisa dessas. Confuso com a descoberta resolveu guardar a medalha junto com o couro da cobra.
Até que meu dia não foi tão ruim, tive carne para comer, vou vender o couro da cobra e quem sabe consigo algum dinheiro com a medalha. Pensou decidido o rapaz na hora em que se deitava, ansioso para chegar logo o próximo dia.
Assim que surgiu o primeiro raio de sol, Richardysson, levantou, se arrumou e rumou para a cidade que ficava a quatro milhas de distância de seu barraco. Chegando lá, encontrou as ruas do centro todas lotadas, tomadas por pessoas ávidas por consumir em poucas horas todo o dinheiro ganho em um mês de trabalho, ele teve dificuldade para localizar uma loja que comprasse couro de cobra e tinha pressa pois não tinha comido nada e a fome apertava o estomago. Entrou em uma loja que julgou ser de um comerciante justo, e estava certo em seu parecer.
O dono da loja, um experiente negociante de couro para estofado de carros esportivos ficou impressionado com o material apresentado pelo rapaz.
Meu filho, onde você encontrou essa peça? Perguntou o comerciante. Apesar de em nosso país não ter esse tipo de cobra parece que ela foi morta recentemente.
Mas ela foi morta ontem, meu senhor, eu mesmo matei enquanto cortava cana. Respondeu com simplicidade.
Olha meu rapaz, não duvido de suas palavras, pois vejo que você é uma pessoa digna de confiança. O que me deixa impressionado é que essa é uma pele de cobra cruzeiro e ela só é encontrada no Brasil.
Eu agradeço pela explicação, mas eu estou mais interessado em saber quanto o senhor paga por ela, pois preciso do dinheiro e já estou passando mal de tanta fome.
Me desculpe meu filho, eu posso te pagar cinco mil cruzados novos, e para me desculpar por estar te chateando com minhas considerações a respeito da pele, vou lhe dar o que comer. Disse o comerciante para o rapaz que apesar de estar maltrapilho, era de um porte físico muito bonito e se estivesse bem vestido poderia ser confundido com alguém da nobreza.
Eu não quero incomodar, o dinheiro já está bom, nem esperava receber tanto por uma coisa tão simples.
Eu insisto, faço questão de tê-lo em minha mesa. Chamou logo um empregado e disse para colocar um prato a mais na mesa, pois um jovem amigo seu ia almoçar com sua família.
A casa do comerciante ficava no fundo da loja, e os dois se dirigiram para lá a fim de almoçarem. Durante o almoço, Richardysson mostrou a medalha e apesar de o comerciante achar estranho ela ter sido encontrada dentro da cobra, não tinha valor, pois era um pedaço de latão e nem dava pra ver se realmente era uma galinha que estava desenhada nela, ele também contou sobre sua vida e o comerciante ficou com compaixão de todo o sofrimento que aquele rapaz passou. No fim de duas horas ele pegou o dinheiro se despediu do comerciante como se fossem velhos amigos e foi embora com a esperança de que sua vida iria melhorar.
Antes de ir para casa ele sentou em uma praça para descansar um pouco, já que morava muito longe, nisso aproximou-se dele uma velha e pediu um dinheiro para comprar remédio para o marido que tinha uma doença rara e estava em casa de cama. Desconfiado de que na realidade a velha queria comprar pinga, deu apenas oitenta centavos, para ela, foi como se fosse um tesouro e agradeceu profundamente.
Minha boa mãe, a senhora me comoveu com seus lamentos, como prova de minha consideração, também te dou essa medalha.
Ao receber a medalha a mulher mudou de cor, ajoelhou a seus pés e começou a chorar de alegria e dar graças aos céus .
Sem entender nada e constrangido, Richardysson pedia para que ela se levantasse, mas isso apenas fazia com que ela beijasse mais seus pés. Depois de muito insistir, a velha se levantou e um pouco recuperada do rompante que teve disse para ele.
Finalmente cumpri minha função na terra, já posso morrer em paz.
Como assim minha senhora, não estou entendendo nada do que a senhora está falando. Atônito respondeu ele.
Vou contar minha história. Disse e sentou ao lado do rapaz. Desde muito nova sou acometida de uns sonhos estranhos, tanto que quase fui considerada louca, nesses sonhos eu via um ancião que me dizia que eu tinha que encontrar o dono desse medalhão, e perturbada com esses sonhos eu cruzei o mundo todo atrás dele.
Como assim? Isso não passa de um pedaço de latão sem valor algum. Respondeu o rapaz. Eu acabei de ficar sabendo.
Você ainda não entendeu, para a visão do mundo pode ser isso mesmo, mas não para uma pessoa como você que é puro de coração. Você foi escolhido para ser o portador desse medalhão e ele vai te dar as respostas que tanto procura.
Não consigo entender o que a senhora está falando.
Calma, em breve você vai entender, minha busca termina aqui, mas a sua só está começando, lembre-se tenha sempre esse medalhão com você e nada de ruim irá te acontecer.
Como posso te agradecer pelo conselho? Falou tirando cinco cruzados novos para dar para a velha, mais para livrar-se dela rápido do que por ter acreditado em suas palavras.
Eu não preciso de dinheiro, já consegui o que precisava fazer, minha recompensa vou receber de outra pessoa. Só quero que você lembre de minhas palavras, pois você tem uma missão a ser cumprida. E leve este conselho: quando estiver andando no escuro, tome cuidado onde pisa, pois você pode tropeçar e acabar caindo.
A velha despediu-se e foi embora. Enquanto ia para casa, Richandysson pensava no que a velha havia falado e chegou à conclusão de que ela era louca, apesar de ele ter tido bastante sorte depois que encontrou a medalha.
Depois dessa tragédia, foi morar com um tio em uma invasão de Sem Terra em Zarubikra. Esse tio, mais poderia ser comparado a um monstro do que a um humano, tão asqueroso e estúpido que era, um ser alto, gordo, com o corpo cheio de pêlos e tinha cheiro de banha de capivara, mas foi o único que se dispôs a receber os meninos, e tinha como profissão, cortador de cana, profissão essa que Richardysson aprendeu logo.
Durante as noites frias de vento cortante, os três eram obrigados a dormir juntos, o tio de Richardysson aproveitava a situação para fazer tudo quanto era tipo de obscenidades com os dois, como tinha um coração bom e seu tio falara que aquilo era normal, ele agüentou tudo calado apesar de não gostar, e via que o Zé ficava feliz depois das brincadeiras.
Morando já a dois anos com seu tio e adaptado à dureza do serviço, uma doença terrível assolou toda a Rússia e seu tio morreu infectado pela gripe do frango. Para piorar, o Zé conseguiu uma grana para ir a Alemanha ver o show do Rebeldes, e nunca mais voltou.
O pobre mancebo não teve tempo para ficar triste por suas perdas, pois seu coração já se endurecera demais para sentir piedade ou compaixão pelos outros. Com poucos amigos ele se limitou a trabalhar arduamente dia após dia para se manter vivo.
Certo dia, enquanto cortava cana, uma cobra que resolvera fazer seu ninho em uma moita perto de onde Richardysson trabalhava, se sentiu ameaçada e já pronta para dar o bote que poderia ser fatal, foi percebida por ele e com um golpe certeiro de foice teve a cabeça decepada. O rapaz não sabia se agradecia aos céus por ter se livrado de uma morte dolorosa ou se lamentava por continuar vivendo naquela merda de vida que não tinha sentido para ele a não ser sofrimento e trabalho.
Pelo menos ele tinha uma mistura a mais para comer, e o couro da cobra poderia render alguns cruzados novos, enquanto preparava sua comida, reparou algo dentro da cobra.
Que estranho, uma medalha dentro da cobra e com uma galinha desenhada nela, nunca vi nem ouvi falar em uma coisa dessas. Confuso com a descoberta resolveu guardar a medalha junto com o couro da cobra.
Até que meu dia não foi tão ruim, tive carne para comer, vou vender o couro da cobra e quem sabe consigo algum dinheiro com a medalha. Pensou decidido o rapaz na hora em que se deitava, ansioso para chegar logo o próximo dia.
Assim que surgiu o primeiro raio de sol, Richardysson, levantou, se arrumou e rumou para a cidade que ficava a quatro milhas de distância de seu barraco. Chegando lá, encontrou as ruas do centro todas lotadas, tomadas por pessoas ávidas por consumir em poucas horas todo o dinheiro ganho em um mês de trabalho, ele teve dificuldade para localizar uma loja que comprasse couro de cobra e tinha pressa pois não tinha comido nada e a fome apertava o estomago. Entrou em uma loja que julgou ser de um comerciante justo, e estava certo em seu parecer.
O dono da loja, um experiente negociante de couro para estofado de carros esportivos ficou impressionado com o material apresentado pelo rapaz.
Meu filho, onde você encontrou essa peça? Perguntou o comerciante. Apesar de em nosso país não ter esse tipo de cobra parece que ela foi morta recentemente.
Mas ela foi morta ontem, meu senhor, eu mesmo matei enquanto cortava cana. Respondeu com simplicidade.
Olha meu rapaz, não duvido de suas palavras, pois vejo que você é uma pessoa digna de confiança. O que me deixa impressionado é que essa é uma pele de cobra cruzeiro e ela só é encontrada no Brasil.
Eu agradeço pela explicação, mas eu estou mais interessado em saber quanto o senhor paga por ela, pois preciso do dinheiro e já estou passando mal de tanta fome.
Me desculpe meu filho, eu posso te pagar cinco mil cruzados novos, e para me desculpar por estar te chateando com minhas considerações a respeito da pele, vou lhe dar o que comer. Disse o comerciante para o rapaz que apesar de estar maltrapilho, era de um porte físico muito bonito e se estivesse bem vestido poderia ser confundido com alguém da nobreza.
Eu não quero incomodar, o dinheiro já está bom, nem esperava receber tanto por uma coisa tão simples.
Eu insisto, faço questão de tê-lo em minha mesa. Chamou logo um empregado e disse para colocar um prato a mais na mesa, pois um jovem amigo seu ia almoçar com sua família.
A casa do comerciante ficava no fundo da loja, e os dois se dirigiram para lá a fim de almoçarem. Durante o almoço, Richardysson mostrou a medalha e apesar de o comerciante achar estranho ela ter sido encontrada dentro da cobra, não tinha valor, pois era um pedaço de latão e nem dava pra ver se realmente era uma galinha que estava desenhada nela, ele também contou sobre sua vida e o comerciante ficou com compaixão de todo o sofrimento que aquele rapaz passou. No fim de duas horas ele pegou o dinheiro se despediu do comerciante como se fossem velhos amigos e foi embora com a esperança de que sua vida iria melhorar.
Antes de ir para casa ele sentou em uma praça para descansar um pouco, já que morava muito longe, nisso aproximou-se dele uma velha e pediu um dinheiro para comprar remédio para o marido que tinha uma doença rara e estava em casa de cama. Desconfiado de que na realidade a velha queria comprar pinga, deu apenas oitenta centavos, para ela, foi como se fosse um tesouro e agradeceu profundamente.
Minha boa mãe, a senhora me comoveu com seus lamentos, como prova de minha consideração, também te dou essa medalha.
Ao receber a medalha a mulher mudou de cor, ajoelhou a seus pés e começou a chorar de alegria e dar graças aos céus .
Sem entender nada e constrangido, Richardysson pedia para que ela se levantasse, mas isso apenas fazia com que ela beijasse mais seus pés. Depois de muito insistir, a velha se levantou e um pouco recuperada do rompante que teve disse para ele.
Finalmente cumpri minha função na terra, já posso morrer em paz.
Como assim minha senhora, não estou entendendo nada do que a senhora está falando. Atônito respondeu ele.
Vou contar minha história. Disse e sentou ao lado do rapaz. Desde muito nova sou acometida de uns sonhos estranhos, tanto que quase fui considerada louca, nesses sonhos eu via um ancião que me dizia que eu tinha que encontrar o dono desse medalhão, e perturbada com esses sonhos eu cruzei o mundo todo atrás dele.
Como assim? Isso não passa de um pedaço de latão sem valor algum. Respondeu o rapaz. Eu acabei de ficar sabendo.
Você ainda não entendeu, para a visão do mundo pode ser isso mesmo, mas não para uma pessoa como você que é puro de coração. Você foi escolhido para ser o portador desse medalhão e ele vai te dar as respostas que tanto procura.
Não consigo entender o que a senhora está falando.
Calma, em breve você vai entender, minha busca termina aqui, mas a sua só está começando, lembre-se tenha sempre esse medalhão com você e nada de ruim irá te acontecer.
Como posso te agradecer pelo conselho? Falou tirando cinco cruzados novos para dar para a velha, mais para livrar-se dela rápido do que por ter acreditado em suas palavras.
Eu não preciso de dinheiro, já consegui o que precisava fazer, minha recompensa vou receber de outra pessoa. Só quero que você lembre de minhas palavras, pois você tem uma missão a ser cumprida. E leve este conselho: quando estiver andando no escuro, tome cuidado onde pisa, pois você pode tropeçar e acabar caindo.
A velha despediu-se e foi embora. Enquanto ia para casa, Richandysson pensava no que a velha havia falado e chegou à conclusão de que ela era louca, apesar de ele ter tido bastante sorte depois que encontrou a medalha.
