segunda-feira, outubro 02, 2006

CONTINUAÇÃO
VAI TER UM POUCO MAIS DE TRÊS PARTES, MAS O FIM SERÁ SURPREENDENTE
Richardysson deitou-se exausto já tarde da noite e quando estava quase dormindo, alguém bateu em sua porta. Duvidando que alguém poderia sair de casa em um dia como aquele em que o frio e o vento glacial castigavam tudo em que tocavam, apenas virou de lado na cama e fechou os olhos. As batidas ficaram mais intensas, então ele levantou para ver se era algum viajante desavisado precisando de ajuda.
Ao abrir a porta, levou um grande susto e não acreditou no que via, em sua frente tinha uma praia de areia extremamente branca, a água era tão límpida que dava para ver os peixes, e mesmo estando apenas de cueca do pokemon, não sentia frio, pois o vento que batia em seu rosto, não passava de uma brisa quente.
Não encontrou ninguém, saiu de casa sem entender nada, procurou por toda a praia uma pessoa que pudesse explicar como ele fora parar ali. Encontrou perto de uma encosta, um senhor que jogava um molinete na água e apesar de não pegar nada, estava com a fisionomia de quem está com sorte na pescaria.
O jovem chegou perto do senhor para saber onde estava e puxou assunto.
Bom dia, disse ele, como está a pescaria?
Dia, está como todos os dias, muito boa. Respondeu o velho com simplicidade.
Mas faz tempo que eu reparo no senhor, e todas as vezes em que puxa a linha, não trás nenhum peixe, e mesmo assim continua tentando. Não seria melhor mudar de lugar?
O homem colocou o molinete de lado, tirou os óculos de sol e olhou para ele com bondade e disse: meu filho, cada um tem uma função na vida, a minha é ficar aqui tentando pescar um único peixe, a sua não é morrer dentro de um barraco no meio do nada, você já recebeu várias mostras de que deve largar tudo e seguir seu destino.
Mas como? se não faço a mínima idéia de onde eu devo ir. Não sei que praia é essa onde estou, e não conheço ninguém que possa me ajudar. Respondeu Richardysson quase aos prantos, pois estava mais perdido que cego em tiroteio.
Você não precisa saber, por enquanto, que lugar é esse, a única coisa a fazer é começar a sua busca e para isso, você já tem tudo o que precisa, o medalhão vai te guiar.
Depois de falar, o velho voltou a jogar a isca no mar, o rapaz ficou observando o trabalho sem saber no que pensar. Isso durou muito tempo, em um silêncio absoluto até que o homem fisgou um peixe. Enquanto ele puxava o peixe para fora da água começou a ventar muito forte e ao tentar falar alguma coisa, Richardysson encoberto por uma nuvem de areia, não viu mais nada e quando teve consciência de si, encontrou-se deitado em sua cama e suava muito.
Já era a quinta noite consecutiva que tivera o mesmo sonho, ele pegou o medalhão e decidiu sair à busca daquilo que ele não sabia o que era, mas seu espírito o obrigava a procurar.
Uma semana depois, já preparado, entregou a chave do barraco para um amigo e saiu sem saber para onde e sem data de volta.
Para começar sua jornada decidiu ir para a Alemanha ver se encontrava o Zé. Comprou uma passagem de trem para Hamburgo. Apesar de a poltrona que ele reservou ser a mais barata, nunca tinha visto tanto luxo em sua vida e ficou maravilhado com o que via pela janela.
Durante a noite, teve um sonho, nesse sonho o velho da praia estava com seu irmão e os dois conversavam sobre ele, e estavam felizes por ele ter escolhido mudar de vida. Ele acordou alegre por ter tido aquele sonho e percebeu que fez uma boa escolha em procurar o irmão. Apesar de sua alegria, foi informado de que a viagem duraria pelo menos seis dias, ficou preocupado, pois suas provisões eram para apenas três dias, mas isso não o desanimou e economizou o máximo que pode.
Chegando a Hamburgo, ficou atônito com a cidade e percebeu que não seria fácil encontrar o irmão mais novo.
Apesar de pouco dinheiro que tinha, conseguiu ficar em hotel, daqueles em que as pessoas pagam para transar com prostitutas decadentes de rua. Enquanto descansava e ouvia gemidos de gozo por todas as paredes, teve um sonho, em que andava por uma rua muito movimentada e apesar de estar pelado, não sentia vergonha, percebeu também que as mulheres da rua provocavam as pessoas que passavam por elas e essas mulheres tinham bigode.
O coitado acordou todo gozado, e não sabia como tinha acontecido aquilo com ele, a única certeza que tinha é que iria procurar aquela rua.
Logo pela manhã, parou em uma cantina para tomar café, enquanto esperava o café ficar pronto, perguntou para o garçom se existia uma rua com as características na cidade. O garçom com um sorriso malicioso nos lábios explicou onde ficava a rua e após se alimentar ele saiu em direção a essa rua.
Não foi difícil encontrar, apesar de ser um pouco diferente da rua do sonho, sabia que era ali que ele precisava procurar algo ou alguém que não sabia o que era.
Depois de ter cruzado a rua toda duas vezes, quis comer e parou para perguntar a uma mulher onde tinha um restaurante nas redondezas. A mulher estava com uma saia muito curta, era loira e usava uma blusa que mostrava metade dos peitos. Mesmo com vergonha Richardyssom resolveu perguntar para ela, pois tinha um rosto familiar.
Restaurante eu não sei benzinho, mas se quiser fazer um programinha eu te levo pra onde você quiser. Foi a resposta da mulher.
Olha moça, me desculpa mas tenho pouco dinheiro e só quero mesmo comer.
Nossa, que homem gentil, aposto que o bofe não é daqui.
Não, sou do interior da Rússia, respondeu já querendo se afastar da mulher.
Calma aí queridinho, eu não mordo não, a não ser que me pague. Enquanto falava isso, a mulher jogava o cabelo de um lado para outro. Tem mais, eu também sou do interior da Rússia. De onde você é meu amor.
Sou de Ostrov Kildin, aposto que você nunca ouviu falar nesse lugar.
Me acuda, gente eu estou passada, deixa eu te ver melhor, eu não acredito. A mulher ficou tão alegre que Richardysson pensou que ela ia desmaiar ali mesmo.
Calma, para que tanto alvoroço só por causa do nome de um lugar.
Você não me reconhece bobo? Sou eu, o Zé.
Depois de ter ouvido isso, Richardysson ficou branco e quase saiu correndo, mas as pernas estavam tão moles que ele não teve força.
Como assim você é o Zé? Meu irmão é homem, ele nunca teria uns peitos tão grandes como os seus. Nem sei se ele está vivo.
Rick, sou eu mesmo, quando eu vim para a Alemanha no show do Rebeldes, eu conheci um carinha que além de rico, era lindo. Nós nos apaixonamos e eu fiz uma operação para troca de sexo.
Mas se ele era rico. O que você ta fazendo aqui na rua vestido desse jeito?
Ai, é uma longa história, vamos para casa, que lá eu conto tudo e você me diz o que ta fazendo aqui nessa loucura de cidade.